sexta-feira, 1 de junho de 2012

Livro: As Peças Infernais - Anjo Mecânico


Sinopse: Anjo Mecânico, volume inaugural de As Peças Infernais, conta como os antepassados dos protagonistas de Instrumentos Mortais se conheceram. E como existe muito mais mistérios entre eles do que se imagina.Através de Tessa Gray, uma jovem órfã de 16 anos, somo apresentados aos Caçadores das Sombras da Inglaterra Vitoriana. Como seus representantes do século Xxi, eles também combatem os elementos rebeldes do submundo – vampiros e lobisomens. E são eles que vão ajudar Tessa quando esta, ao sair de Nova York em busca do irmão, seu único parente vivo, é raptada pelas irmãs Black. Mas Tessa não é uma senhorinha indefesa. Dona do estranho poder de se transformar em qualquer um apenas tocando em algum pertence dessa pessoa, é um objeto valioso para o submundo. Ao lado do temperamental e misterioso Will e de seu melhor amigo James, cuja frágil beleza esconde um terrível segredo, Tessa vai aprender a usar seu poder e ganhar um lugar ao lado deles na batalha entre as trevas e a luza. (sinopse disponível em http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=26144)

Série: As Peças Infernais
Livro: Anjo Mecânimo
Autora: Cassandra Clare
Tradutora: Rita Sussekind
Editora: Record
Páginas: 392


Nem acreditei quando vi que Anjo Mecânico seria lançado no Brasil. Eu ansiava por ler a série As Peças Infernais desde que soube da sua existência. Mas como nem City of Fallen Angels foi lançado por aqui ainda, não imaginava que Anjo Mecânico acabaria chegando antes.

As Peças Infernais é um prequel da série Os Instrumentos Mortais, da autora Cassandra Clare, e se passa mais de 100 anos antes da história que já conhecemos. Bom, pelo menos que eu já conheço, com certeza alguns leitores conhecerão esse universo por meio desta saga e não da outra. O interessante desta nova série é que ela faz uso do mesmo universo, mas sem obrigar ao leitor conhecer previamente os outros livros.

O ponto negativo é que, justamente por ser o início de uma nova saga, certas coisas precisam ser explicadas ao novo leitor (e também à nova personagem, Tessa, que é novata nesse negócio de Caçadores de Sombras, Vampiros, Lobisomens e afins). A autora faz o melhor possível, mas fica evidente um certo desconforto nessas explicações. O leitor antigo precisa revisitar o que já sabe e soa um tantinho repetitivo (e meio incompleto), enquanto aquele que está conhecendo este universo só agora acaba perdendo explicações mais aprofundadas, porque a autora se esforça, mas não consegue deixar tão claro tudo o que há por trás de cada grupo de seres sobrenaturais.

Os personagens principais são Will Herondale, Jem Carstairs e Tessa Gray. Os dois primeiros são Caçadores de Sombras (humanos com sangue do anjo Raziel, que são treinados desde jovens para combater os demônios que tentam destruir a humanidade), enquanto Tessa é um membro do submundo, embora tenha acabado de descobrir isso. A garota possui um poder bastante curiosa de se transformar em qualquer pessoa – viva ou morta – desde que possa tocar em algum objeto que tenha pertencido a esta pessoa. O legal é que ela não apenas se transforma fisicamente, mas também absorve as memórias e personalidade da pessoa, uma qualidade rara mesmo no submundo. Ela obviamente é uma feiticeira (filha de um humano com um demônio), mas os eventos que levaram ao seu nascimento são um dos mistérios do livro.
Quanto aos rapazes eu tive alguma dificuldade para aprender a gostar de Will. Ele não é o tipo de personagem com quem eu simpatize. Parece bon vivant demais para mim. É claro que há muito mais por trás do personagem e isso não é de todo mal, embora eu confesse que talvez gostaria mais dele se ele fosse realmente o que parece ser. Eu já usei de toda minha boa vontade engolindo o Jace e sua dupla personalidade (em Os Instrumentos Mortais). Cansei dessa gente que fica toda cheia de segredos e arrogância e que no fundo não é o que demonstra ser.

Jem, por outro lado, também tem seus segredos, mas é o amor em pessoa. Eu sabia que gostaria dele desde a sua primeira aparição, ainda no prólogo. E de fato, foi o personagem que eu mais gostei no livro. Verdade seja dita, foi o único personagem que realmente me prendeu (fora Magnus Bane, é claro, mas Magnus não conta, pois ele já é personagem conhecido de Os Instrumentos Mortais).

Há duas coisas em especial que eu gostei no livro: não deixa aquela sensação de ‘amor escrito nas estrelas’, do tipo que é super clichê e que é óbvio que fulana terminará com beltrano. Há um leve ar de romance no ar (é um YA, afinal de contas), mas por enquanto ele não é o que move a história. E a protagonista pode ficar com qualquer um. Pode ser Will, ou Jem, ou algum outro que aparece (pode até ser Magnus! Por que, não?). Todos eles mostram-se personagens dignos, mesmo Will, por quem eu tenho uma birra conceitual.

E por falar em Will, quem já leu City of Fallen Angels já ouviu falar no Herondale. Ele foi mencionado por Camille para Magnus, o que me deixou curiosa sobre o personagem desde então, embora eu o imaginasse um tantinho diferente. Inclusive, Tessa também já fez uma aparição relâmpago em um dos livros de Os Instrumentos Mortais (embora não aparecesse seu nome, foi confirmado pela própria autora).

Bom, esta foi a primeira coisa que eu gostei, a outra é o relacionamento entre Will e Jem. Os dois realmente se amam. Aquele amor de irmão, companheiro, parabatai, enfim, confiam de fato um no outro, mesmo quando não falam tudo sobre os seus passados. Geralmente vemos dois rapazes sendo amigos e até confiando, mas não com esta entrega que os dois têm. Eu sinceramente fiquei encantada com o afeto sincero e aberto dos dois.

Mas a despeito de todos os relacionamentos que vão se desenvolvendo ao longo do livro (não só possíveis romances, mas a amizade e a confiança, e até mesmo certos inimigos), Anjo Mecânico é, sobretudo, centrado na aventura. Tessa começa o livro raptada e é salva (meio por acaso) pelos Caçadores de Sombras e então nos vemos envolvidos com a trama do livro: salvar o irmão de Tessa e achar e vencer o Magistrado, personagem que parece comandar o submundo, e é o responsável pela captura de Tessa e do seu irmão.

Não posso dizer que o livro terminou sem que eu soubesse como a história estava se encaminhando, mas mesmo assim valeu o caminho percorrido. É sempre bom conhecer os antepassados de personagens que já aprendemos a amar (ou a odiar em alguns casos). Porque, o que não falta em As Peças Infernais são sobrenomes conhecidos (embora eu, ruim de memória que sou, nem sempre lembrava quem era o seu correspondente na outra série da autora).

Por ora estou tentando decidir qual lerei primeiro...City of Lost Souls (quinto livro de Os Instrumentos Mortais) ou Clockwork Prince (sequência de Anjo Mecânico). É um pouco engraçado ler duas séries da mesma autora em períodos diferentes, mas com os mesmos sobrenomes de personagens. Você fica intrigado com o que houve nesse meio tempo que levou ao nascimento desse povo todo que já conhecemos.

Cassandra Clare fez um bom trabalho com essa sua nova saga e, embora sua escrita inicialmente estava um pouco desleixada, aos poucos ela entrou nos eixos e voltou a ser a autora com a qual eu estava acostumada. Mas eu credito esse início confuso à novidade de estar escrevendo com personagens diferentes (e com um background diferente, já que a história se passa em Londres, 1878) e desenvolvendo as coisas de outra forma, embora dentro de um mesmo universo.

E tem a questão do casal. Pode parecer loucura, mas não fazer um casal central e feito um para o outro, muda completamente a narrativa de uma história e te obriga a repensar no que de fato importa na história que quer contar. No entanto Clare logo se encontrou e voltou a ficar confortável com o seu texto e nós leitores pudemos aproveitar sem culpa um livro que é, entre algumas outras qualidades, muito gostoso de ser lido.

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